Governo aumenta para 30 o número de bolsas para alunos universitários ciganos

13.09.2017

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Actualidade

O Governo vai aumentar de 25 para 30 o número de bolsas de estudo para alunos universitários ciganos, anunciou hoje o ministro Eduardo Cabrita, no âmbito do programa "Opre", uma medida "histórica" que permitiu "rasgar mentalidades".O anúncio foi feito hoje pelo ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, no decorrer de uma cerimónia onde foi feito o balanço da primeira edição do "Opre" -- Programa Operacional para a Promoção da Educação, que atribui bolsas de estudo a alunos ciganos para o ensino superior.Na primeira edição deste programa, para o ano letivo 2016/2017, o Governo atribuiu 25 bolsas de estudo, número que irá aumentar para 30 no próximo ano letivo, anunciou Eduardo Cabrita, que gostaria "de ter não 30, mas 300 candidaturas", já que o problema não está no financiamento destas bolsas."Temos de motivar mais jovens, homens e mulheres da comunidade [Notes:cigana] , a ter orgulho em aceder ao ensino superior", defendeu o governante, sublinhando que "vale a pena estudar".Os resultados hoje apresentados mostram que das 25 bolsas atribuídas no ano letivo passado, 11 foram para homens e 13 para mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos."Neste momento, a taxa de sucesso é de 71% [Notes:no global] e de 77% nas mulheres", adiantou Bruno Gonçalves, vice-presidente da Associação Letras Nómadas, mentor do projeto que esteve na génese do programa "Opre", acrescentando que serviu para "rasgar mentalidades".De acordo com o responsável, grande parte dos alunos optou pelas ciências sociais, mas a distribuição incidiu em cursos tão diversos como a psicologia, ciências jurídicas, fotografia, desporto, automação naval ou serviço social.Priscila Sá, 20 anos, é uma das alunas que usufrui de uma bolsa de estudo, estando no quarto ano da licenciatura de Direito, na Universidade Lusófona, no Porto.Em declarações à Lusa explicou que estar a estudar Direito é um sonho concretizado, não só seu, mas de toda a família que sempre a apoiou e incentivou."Estou a realizar o meu sonho desde pequena, que era ser advogada, e, portanto, estou no caminho certo", adiantou, acrescentando que espera, no futuro, conseguir chegar a juíza e motivar outros jovens a estudar.Olga Mariano, presidente da Associação Letras Nómadas, para quem o "Opre" é uma medida "histórica", não tem dúvidas quanto ao valor das mulheres ciganas, que "não se desviaram um milímetro do que é ser cigano dentro da sua própria comunidade"."São meninas que têm todo o valor, familiar, comunitário e pessoal", defendeu, acrescentando que muitas estão casadas e têm filhos.Para a responsável, o programa "Opre" e os resultados que teve até agora mostra que os ciganos estão cansados de ser "cidadãos de segunda"."Somos portugueses e podemos sonhar com mais. Os bairros sociais têm de acabar, vamos inserir estas pessoas nas malhas urbanas e a exclusão escolar têm de acabar. Vamos por ciganos no ensino superior. Há muito para fazer, mas o caminho faz-se caminhando", disse Olga Mariano.O ministro Eduardo Cabrita aproveitou ainda para apelidar os jovens estudantes ciganos de heróis e para garantir que a medida é, não só, uma "prioridade política", como um "dos sonhos" que o deixa mais satisfeito."Estamos a fazer o que deve ser feito porque há aqui uma dívida de justiça para com a comunidade cigana, uma dívida de toda a sociedade portuguesa", disse o governante, acrescentando que cabe à comunidade cigana bater-se pelos seus direitos.O programa "Opre" tem como objetivo ajudar jovens ciganos a entrar na universidade, dando-lhes uma bolsa de estudo no valor de 1.500 euros por ano, atribuída pelo Alto Comissariado para as Migrações.

Lusa