Bloco de Esquerda exige ganhos para os professores até 2019

22.11.2017

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Actualidade

O Bloco de Esquerda desvaloriza o aviso de António Costa feito a partir da Tunísia e insiste que tem de haver consequências até 2019 para o que o que Mariana Mortágua considera ser uma “reivindicação legítima” dos professores. Em entrevista ao programa Hora da Verdade, que será transmitida na quinta-feira, a deputada e dirigente do BE faz a sua própria interpretação do que o primeiro-ministro disse à margem da cimeira luso-tunisina.

“O que o primeiro-ministro está a dizer é: nem os professores, nem os funcionários públicos reivindicaram retroactivos. É essa a leitura que acho é que possível fazer”, afirma Mortágua, reagindo ao aviso de António Costa de que não é possível refazer a história e recuperar as carreiras congeladas.

“Quando conseguimos actualizar as pensões, nós não compensámos os pensionistas pelos anos em que as pensões estiveram congeladas. O Governo está a pôr o cronómetro a contar. Mas ao começarmos a repor rendimentos e devolver direitos não podemos fazê-lo ignorando os direitos que foram congelados nesse período. O que foi reivindicado pelos professores e pelos trabalhadores da Administração Pública é simplesmente poder ser reposicionado de acordo com os anos em que trabalharam. É uma reivindicação legítima - e tem que ter reflexos no âmbito desta legislatura”, argumenta a deputada, colocando assim a necessidade de esse tempo de trabalho dos professores ter reflexos até 2019, quando o Governo já remeteu esses reflexos só para depois de 2020.

Mariana Mortágua lembra que o descongelamento das carreiras estava no acordo que, há dois anos, viabilizou este Governo e diz que nunca lhes passou pela cabeça que pudesse haver descongelamento sem contagem de tempo.

“Não quero acreditar - e acho que isso nunca esteve em cima da mesa - que, ao descongelar carreiras, todos os anos de serviço fossem pura e simplesmente ignorados. Isto não pode ser aceitável, nunca foi feito. Mesmo no passado, com carreiras que foram congeladas, quando foram descongeladas os anos de serviço foram contados. Assim foi no tempo de Cavaco Silva, assim foi no tempo de António Guterres. E, por isso, não é de esperar e não podemos aceitar que simplesmente se passe um pano sobre anos de serviço destas pessoas”, acrescenta a bloquista, lembrando que, mesmo agora, “quando houve um acordo para descongelar carreiras, esses anos foram contados - excepto para alguns profissionais, entre eles os professores”.

Mariana Mortágua diz ainda que o Bloco não se quer sobrepor ou substituir aos sindicatos nas negociações em curso, mas sim avisar que o seu partido está preocupado com a situação e vai “acompanhar muito de perto” as conversações.

“A negociação tem que ser feita com os sindicatos e respeitamos essas negociações, que estão a acontecer”, garante, voltando a exigir consequências: “Tem que acontecer no âmbito da legislatura, até 2019.”

Rádio Renascença