Mário Centeno. Sem rigor, "podemos ter surpresas desagradáveis"

01.06.2017

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Governo

Em entrevista ao "El Pais", o ministro das Finanças deixa uma mensagem aos aliados de esquerda e aos sindicatos: "Não podemos correr o risco de voltar a atrás". Mas também critica a política "errada, parcial e incompleta" em que a União apostou. "Tentaram-nos convencer de que só havia uma solução."

O ministro das Finanças, Mário Centeno, diz, em entrevista ao diário espanhol "El Pais", que as exigências dos partidos de esquerda e dos sindicatos são "naturais" e "até saudáveis", mas insiste na necessidade de manter o rigor orçamental.

"É natural e, até saudável" que os partidos de esquerda e os sindicatos reforcem exigências e reivindicações, "mas não podemos perder de vista que nestes processos nada está garantido", avisa o ministro.

"Se não aplicamos o mesmo rigor dia-a-dia, podemos ter surpresas desagradáveis, como tivemos o ano passado", reforça Centeno, sublinhando: "Não podemos correr o risco de voltar a atrás."

Noutra passagem da entrevista, o ministro das Finanças lamenta que as instituições europeias tenham duvidado da estratégia de recuperação económica do governo português.socialista. "Enganaram-se totalmente", diz Centeno, criticando a União Europeia por, no passado, ter aplicado "a receita errada, parcial e incompleta".

"Tentaram-nos convencer de que só havia uma solução, que era a austeridade e que, no seu conjunto, foi excessiva. Aplicou-se um discurso de reformas estruturais que não só cansou as pessoas como também impediu que essas reformas fizessem efeito. A Europa aplicou a receita errada, parcial e incompleta. Eram necessárias reformas estruturais, mas acompanhadas de estímulos que promovessem a inversão".

O ministro das Finanças fala ainda da saída de Portugal do procedimento de défice excessivo, considerando esse facto como "algo importante" por "revelar que Portugal ganhou credibilidade nas suas contas públicas".

Identificado na entrevista como "o protagonista da mudança portuguesa", o governante segue as pisadas de Moskovici e de António Costa ao dizer que os ratings das agências financeiras não reflectem a actual situação portuguesa.

Depois, Centeno - também já apelidado de Super Mário - diz que União Europeia seguiu uma receita errada, parcial e incompleta. Sustenta que o problema da Europa não era a produção, mas sim a procura.

O ministro termina a entrevista a falar do sector financeiro. Centeno dá como resolvidos 6 de 7 problemas: BCP, BPI, Caixa, Novo Banco, Banif e Fundo de Resolução. Falta tratar do malparado.

Rádio Renascença